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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

OBESIDADE INFANTIL

É nos meios urbanos que a obesidade infantil deixa a sua marca mais pesada. No entanto, a ruralidade também não mostra um cenário diferente. As estatísticas dizem que, a nível nacio­nal, 31,5% das crianças entre os 9 e os 16 anos são obesas ou sofrem de excesso de peso. E daqui sobressai uma conclusão: é preciso agir. Caso contrário, a já ameaçada esperança média de vida destas crianças vai ser ainda mais curta do que aquela que a geração dos pais tem neste momento. Perante a informação que é disponibilizada constantemente, ainda é pouca a sensibilização para este problema, que a Organização Mundial de Saúde entende como uma das actuais e preocupantes epidemias.

Certo é que, neste momento, calcula-se que no futuro haja mais adultos que, para além de obesos, vão sofrer de patologias cardiovasculares, cada vez mais cedo. Vão ser mais atingidos pelos efeitos da diabetes mellitus tipo 2, que também tem subido significativamente nos jovens de hoje. Já para não falar de distúrbios da personalidade, decorrentes do estigma de ser gordo, como assinala uma campanha desenvolvida por estes dias nos diversos media.

É importante o desenvolvimento de programas de promoção e manutenção do controlo de peso em crianças e adolescentes que devem contribuir para pequenas mudanças sucessivas ao nível da alimentação e actividade física diárias, conducentes à aquisição de um estilo de vida mais saudável. Um dos problemas actuais é o facto de a dieta mediterrânea ter caído no desuso.

”Essa dieta, bem mais saudável, pela utilização do pão, do azeite, do peixe, da fruta e dos legumes está a ser substituída por outros alimentos prejudiciais.” (Dra. Sandra Martins)

As pizzas, os hambúrgueres, as salsichas, a comida já previamente confeccionada que se coloca no microondas e os refrigerantes gaseificados são exemplos flagrantes. Há outra falha grave, que é a ausência de um bom pequeno-almoço, completo e diversificado. O papel dos pais na obesidade infantil assume duas vertentes essenciais. Em primeiro lugar, emerge a questão inevitável da hereditariedade. A verdade é que, “em pais obesos há aproximadamente 50% de possibilidades de os filhos virem a sofrer do mesmo problema”. O exemplo que os progenitores dão em casa influencia de igual modo o comportamento das crianças, seja através da alimentação, seja através de hábitos – ou não – de prática de actividade física.
A obesidade infantil é mais evidente nas raparigas do que nos rapazes. Por um lado, a acumulação de gorduras é superior nas raparigas. Há também factores culturais que perduram. Elas têm hábitos mais sedentários, enquanto eles apresentam sempre níveis superiores de actividade física. Na escola, os rapazes apresentam maior número de períodos de actividade moderada e intensa durante os intervalos, com jogos e brincadeiras. As adolescentes preocupam-se mais com a sua imagem, algo que desejam manter, apesar de nem sempre o fazerem da forma mais saudável. Contudo, até à segunda infância essas diferenças entre os géneros não são tão notórias, acentuando-se com a entrada na adolescência. Mas a mudança de comportamentos é algo difícil de empreender, pelo que requer a reunião de um conjunto de factores de natureza multidisciplinar que facilitem a sua concretização.

Paralelamente, o culto da magreza está aí para durar. Se antes, em tempos idos, a gordura era sinónimo de formosura e também de boa saúde nas crianças, agora o conceito inverteu-se. Os excessos no aporte de lípidos pagam-se mais tarde. E sabe-se hoje que a denominada aterosclerose – que consiste no bloqueio das artérias – começa a ganhar forma desde muito cedo. Depois virão os AVCs, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, cada vez mais precocemente... e as mortes súbitas a partir dos 35/40 anos são já um facto comum.

Entre as medidas de prevenção incluem-se não apenas a sensibilização dos alunos nas escolas, mas a chave reside também na intervenção junto das cantinas. Algumas já começam a adoptar práticas mais saudáveis de fornecimento alimentar aos alunos. A verdade é que continuam a existir, na maior parte dos casos, tentações nos bares, nas máquinas de venda automática e pouca imaginação na oferta alimentar das cantinas e bufetes. O café no outro lado da rua é, muitas vezes, a opção mais lógica. Mas nem sempre a mais correcta do ponto de vista da saúde. Nem tudo deve entrar nas escolas e os fornecedores de alimentação devem ser alvo de um controlo mais eficaz. Paralelamente, a aprendizagem da alimentação saudável também deve ser incluída no currículo escolar, através dos projectos desenvolvidos pela comunidade educativa.

A publicidade televisiva aos produtos alimentares focada em crianças também merece duras críticas. Seria importante a interdição de anúncios a alimentos hipercalóricos, nomeadamente, durante os intervalos da programação infantil, como já acontece na Suécia e está a ser discutido em França e Inglaterra. Quanto mais jovens as crianças menos capacidade têm de conseguir distinguir as mensagens a que são expostas.

É importante que a obesidade infantil seja encarada como um grave problema da actualidade e que sejam divulgados os comportamentos preventivos a desenvolver para evitar o risco de obesidade e todas as consequências que deste problema advém, sensibilizando não apenas as crianças e os jovens, mas também os pais para a importância da educação de estilos de vida saudáveis.

publicado por Dreamfinder às 16:55

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

OBESIDADE INFANTIL

É nos meios urbanos que a obesidade infantil deixa a sua marca mais pesada. No entanto, a ruralidade também não mostra um cenário diferente. As estatísticas dizem que, a nível nacio­nal, 31,5% das crianças entre os 9 e os 16 anos são obesas ou sofrem de excesso de peso. E daqui sobressai uma conclusão: é preciso agir. Caso contrário, a já ameaçada esperança média de vida destas crianças vai ser ainda mais curta do que aquela que a geração dos pais tem neste momento. Perante a informação que é disponibilizada constantemente, ainda é pouca a sensibilização para este problema, que a Organização Mundial de Saúde entende como uma das actuais e preocupantes epidemias. Parecem passar despercebidas a pais e Estado as consequências reais a longo prazo, sobretudo quando se tem em conta que a alimentação incorrecta e a escassa prática de actividade física são a base desta situação, não só nos adultos, mas particularmente na população infantil.

Certo é que, neste momento, calcula-se que no futuro haja mais adultos que, para além de obesos, vão sofrer de patologias cardiovasculares, cada vez mais cedo. Vão ser mais atingidos pelos efeitos da diabetes mellitus tipo 2, que também tem subido significativamente nos jovens de hoje. Já para não falar de distúrbios da personalidade, decorrentes do estigma de ser gordo, como assinala uma campanha desenvolvida por estes dias nos diversos media.

É importante o desenvolvimento de programas de promoção e manutenção do controlo de peso em crianças e adolescentes que devem contribuir para pequenas mudanças sucessivas ao nível da alimentação e actividade física diárias, conducentes à aquisição de um estilo de vida mais saudável. Um dos problemas actuais é o facto de a dieta mediterrânea ter caído no desuso.


”Essa dieta, bem mais saudável, pela utilização do pão, do azeite, do peixe, da fruta e dos legumes está a ser substituída por outros alimentos prejudiciais.”

Dra. Sandra Martins

 

As pizzas, os hambúrgueres, as salsichas, a comida já previamente confeccionada que se coloca no microondas e os refrigerantes gaseificados são exemplos flagrantes. Há outra falha grave, que é a ausência de um bom pequeno-almoço, completo e diversificado. O papel dos pais na obesidade infantil assume duas vertentes essenciais. Em primeiro lugar, emerge a questão inevitável da hereditariedade. A verdade é que, “em pais obesos há aproximadamente 50% de possibilidades de os filhos virem a sofrer do mesmo problema”. O exemplo que os progenitores dão em casa influencia de igual modo o comportamento das crianças, seja através da alimentação, seja através de hábitos – ou não – de prática de actividade física.
A obesidade infantil é mais evidente nas raparigas do que nos rapazes. Por um lado, a acumulação de gorduras é superior nas raparigas. Há também factores culturais que perduram. Elas têm hábitos mais sedentários, enquanto eles apresentam sempre níveis superiores de actividade física. Na escola, os rapazes apresentam maior número de períodos de actividade moderada e intensa durante os intervalos, com jogos e brincadeiras. As adolescentes preocupam-se mais com a sua imagem, algo que desejam manter, apesar de nem sempre o fazerem da forma mais saudável. Contudo, até à segunda infância essas diferenças entre os géneros não são tão notórias, acentuando-se com a entrada na adolescência. Mas a mudança de comportamentos é algo difícil de empreender, pelo que requer a reunião de um conjunto de factores de natureza multidisciplinar que facilitem a sua concretização.

Paralelamente, o culto da magreza está aí para durar. Se antes, em tempos idos, a gordura era sinónimo de formosura e também de boa saúde nas crianças, agora o conceito inverteu-se. Os excessos no aporte de lípidos pagam-se mais tarde. E sabe-se hoje que a denominada aterosclerose – que consiste no bloqueio das artérias – começa a ganhar forma desde muito cedo. Depois virão os AVCs, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, cada vez mais precocemente... e as mortes súbitas a partir dos 35/40 anos são já um facto comum.

Entre as medidas de prevenção incluem-se não apenas a sensibilização dos alunos nas escolas, mas a chave reside também na intervenção junto das cantinas. Algumas já começam a adoptar práticas mais saudáveis de fornecimento alimentar aos alunos. A verdade é que continuam a existir, na maior parte dos casos, tentações nos bares, nas máquinas de venda automática e pouca imaginação na oferta alimentar das cantinas e bufetes. O café no outro lado da rua é, muitas vezes, a opção mais lógica. Mas nem sempre a mais correcta do ponto de vista da saúde. Nem tudo deve entrar nas escolas e os fornecedores de alimentação devem ser alvo de um controlo mais eficaz. Paralelamente, a aprendizagem da alimentação saudável também deve ser incluída no currículo escolar, através dos projectos desenvolvidos pela comunidade educativa.

A publicidade televisiva aos produtos alimentares focada em crianças também merece duras críticas. Seria importante a interdição de anúncios a alimentos hipercalóricos, nomeadamente, durante os intervalos da programação infantil, como já acontece na Suécia e está a ser discutido em França e Inglaterra. Quanto mais jovens as crianças menos capacidade têm de conseguir distinguir as mensagens a que são expostas.

É importante que a obesidade infantil seja encarada como um grave problema da actualidade e que sejam divulgados os comportamentos preventivos a desenvolver para evitar o risco de obesidade e todas as consequências que deste problema advém, sensibilizando não apenas as crianças e os jovens, mas também os pais para a importância da educação de estilos de vida saudáveis.

publicado por Dreamfinder às 20:39

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